Blog de Mamen Alegre: Mel sobre a língua:
Não é preciso contarte
que tudo se comunica
nesse céu de nuvens e de sombras.
Não é.
Tu sabes que de vez em quando
atreve-se a chover sobre nós cores
sobre os muros,
e deixámo-nos apunhalar
um ao outro
como a luz à água
no interior da pele.
Não é preciso dizer-te
aquilo que novembro conta na rua
para todos aqueles que não ouvem.
Há folhas no chão
que sabem mais de nós
do que nós próprios
e as costuras que se apretam
para aproximarnos
derraman mel sobre a língua
quando a tarde se divide em dois
e se transforma no fumo
do dia que nos mantuve.
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